
RFB: Como acontece com a maioria dos pilotos que tentam ter suas carreiras profissionais, por motivos financeiros, sua família não conseguiu seguir com sua carreira. O que eles pensam sobre o automobilismo virtual?
ATJ: Aceitam bem até, minha namorada até me apoia. Sabem que eu não vejo isso como um simples jogo de vídeo-game e que eu desconto toda a frustração da vida real nesse simulador. Então, em dia de corrida, não atrapalham mesmo. Só às vezes a minha mãe (risos), mas no geral, não atrapalham.
RFB: E como descobriu as corridas multiplayer?
ATJ: O campeonato de Grand Prix 3 foi pelo Google mesmo e o Gene Rally também. Depois um amigo carioca me mostrou o LFS e eu fiquei maravilhado em correr online, em tempo real. Parecia um sonho realizado (risos). Mais tarde o David Greco me apresentou o rFactor, nos conhecemos no campeonato de GP3.
RFB: Existem várias ligas e simuladores de corridas virtuais. Por qual motivo optou pela rFactor Brasil e pelo jogo rFactor?
ATJ: O jogo rFactor porque é o que há de melhor de todos os simuladores (risos). Tem inúmeras pistas, inúmeros mods e uma jogabilidade de multiplayer incrível. Só falta chuva, pois amo andar com chuva (risos). E quanto à Liga, é porque gosto de correr "em casa" e aqui do Brasil é a maior Liga, sem dúvida. Também porque gosto de correr com os amigos e é aqui que eles correm.
RFB: Sabemos que você é um piloto que se dedica muito. Você se cobra por bons resultados e por uma boa performance nas corridas?
ATJ: E muito. Sempre me cobrei por resultados no kart quando corria de verdade, nunca aceitei um resultado ruim e no virtual com certeza não seria diferente. Eu não treino porque gosto de treinar. Treino por obrigação mesmo, admito. Adoro vencer, e só consigo isso treinando. Mesmo quando não tenho tempo, sempre arranjo um espacinho, nem que seja duas da manhã, se precisar eu faço mesmo
RFB: Sua carreira virtual é marcada por várias participações, vitórias e bons resultados. Quando você disputa uma corrida online, o que você considera mais importante: a diversão ou os resultados?
ATJ: O resultado com certeza. Eu só fico feliz se o resultado foi bom, não necessariamente a vitória. Por exemplo, se eu for correr o mundial, não espero mesmo vencer, mas se terminar entre os 5 vou ficar feliz. Porém, se eu não consigo o resultado esperado, acabo saindo puto, com raiva e de mau humor, e acaba não sendo um divertimento.
RFB: Por falar em campeonato mundial, nesta temporada, você tem planos de expandir suas participações em corridas virtuais para o âmbito internacional. Em quais ligas irá correr em 2007?
ATJ: Entrei atrasado nelas, mas estou lá. Estou inscrito agora pela equipe Roaldo, na categoria ACE da
www.formula-simracing.net e também inscrito no campeonato português de GP2
www.simracingportugal.net/rfactor . Quem me estimulou para correr no mundial foi o Alessandro Monteiro. Fui atrás da Armaroli, mas parece que só vai começar no final deste ano. Falei com o Greco e ele me chamou para correr na equipe dele, então, me empolguei de novo. Pretendo assim aprender muitas coisas novas com ele e com o pessoal que corre lá. Nos dois campeonatos entrei com 3 etapas atrasadas.
RFB: E por qual motivo tomou essa decisão de correr em ligas internacionais?
ATJ: Uma coisa é ser campeão uma vez, duas.... Mas eu já tenho 6 títulos aqui na rFactor Brasil e, obviamente, comemorei muito bem todos eles. Mas também é obvio que não é mais a mesma coisa. O Alessandro deu a idéia porque viu que eu já não estava me divertindo mais, nem treinava mais direito, viu que eu estava “levando com a barriga”, por isso, falou que eu precisava de algo novo e foi aí que a idéia surgiu.
RFB: Então, isso quer dizer que você não irá correr na Dream Carrer. Podemos considerar que isso é uma boa ou uma má notícia?
ATJ: A princípio não, pois esses campeonatos que estou exigem muito mais treino do que, por exemplo, uma corrida de F3, onde dou 20 voltas e já estou com setup pronto e com a “mão” da pista. O Greco mesmo, acho que pratica de uma a duas horas por treino, então, prefiro fazer só lá e fazer bem feito do que correr em um monte de corridas e não correr bem em nenhuma. Se é uma boa ou má noticia eu já não sei, aí depende de quem ler (risos). Mas também não é uma decisão definitiva, na próxima temporada, quem sabe, eu volte. Acho que nos treinos que fiz com o Greco chegamos a dar umas 500 voltas, não sobra tempo para outras corridas mesmo.
RFB: Você esteve envolvido nos testes do mod BRKart, ajudando o Adriano Augusto a desenvolver a física dos karts. O que achou dessa última versão 32?
ATJ: Puts, eu baixei, mas ainda não testei. Eu mesmo fui dar uma de "fuchicão" e mecher na física do kart, e acho ter melhorado algumas coisas. Mas acabei salvando a versão 32 por cima sem querer, mas o próprio Adriano falou que essa versão é para o campeonato, porém não é a definitiva ainda. Pelo jeito que a coisa está ficando e pelas fuçadas que dei na física, acho que o BRKart vai ficar muito, mas muito real mesmo, com prioridades como aquecimento de pneu, quebras, desgaste e coisas assim, e não apenas a dirigibilidade em si, pois tem muitos mods por aí que tem a física muito boa, mas essas prioridades muito mal feitas.
RFB: Agora estando como telespectador da Liga, quais pilotos você considera que irão se destacar no turismo e nos Fórmulas?
ATJ: Ah... Mas não tenham dúvidas que o Eduardo Prado é um deles. Eu acho que se ele se dedicar, e correr com o volante certo dele e computador tudo em ordem, coisa que nunca acontece, pois ele sempre corre com umas gambiarras lá, ele leva tudo mesmo. Eu corro com ele desde a minha primeira corrida de rFactor, e sempre treinei com ele, sei bem a capacidade do cara. Mas tem muitos outros nomes aparecendo, pelo que eu vi na T1. Quem tem chance de vencer corridas é o Alessandro Monteiro, que está evoluindo demais, Evandro Lima, Iorton é muito rápido também, o Petry me surpreendeu na corrida de Stockcar que fizemos...Não sei, é difícil mesmo falar sobre isso, mas acho que quem vai destruir mesmo é o Eduardo. Quem teria chance de batê-lo sumiu da Liga, como o Marcos Gomes que pilota muito.
RFB: Certamente, você teve em sua carreira virtual diversos momentos felizes. Lembra qual foi o maior de todos?
ATJ: Não sei o porquê, mas eu tenho mania de me recordar com mais facilidade dos momentos de raiva que passei (risos). Mas tenho muitos felizes sim, como minha primeira pole, que ainda por cima foi em cima de um monte de cara bom, como o Leandro Schmidt, Felipe Vaz e outros. A minha primeira vitória, que foi no campeonato português, o primeiro título, uma ultrapassagem por fora que eu fiz, que eu não vou me esquece nunca mais...coisas assim...
RFB: Sem problemas...nos conte qual foi seu momento de maior raiva... pode extravasar...
ATJ: (Risos) Esse eu me lembro fácil. Foi uma corrida em Watkins Gleen, de F3, era a minha terceira corrida acho, foi no mesmo dia da minha primeira pole. Todo mundo correndo com tração ligada e Anti-lock brakes também e eu, por conselho do Greco, correndo sem nada. Estava ganhando do Leandro Schmidt e todo aquele pessoal, vencendo de ponta a ponta e tudo mais, faltando 2 minutos para o final da corrida, a minha placa de vídeo trava e eu vou de frente no muro. Destruí totalmente meu carro, aquilo foi inacreditável. A corrida estava na mão, seria uma primeira vitória perfeita, eu lembro até que nos primeiros instantes após a batida eu fiquei paralisado, não acreditava. Depois saí chutando e batendo em tudo que via pela frente (risos), alguns podem achar exagero, mas eu havia treinado muito mesmo e ver tudo acabar daquele jeito foi difícil.
RFB: Uma pena, mas no automobilismo virtual também existem os imprevistos. Algaci, foi um enorme prazer conversar contigo, desejo sucesso nos campeonatos internacionais e assim que puder volte a participar da Liga, pois você sempre será referência para os que correm e os que estão iniciando nas corridas virtuais. Para finalizar, qual o segredo para ser tão rápido, vencer corridas e conquistar títulos nas corridas virtuais?
ATJ: Não tem segredo não, mas se puder servir eu falo assim: se quiser vencer, tenha vontade de vencer, o resto é conseqüência...Assim você treina mais, se dedica... Acho que nada assim vem fácil, se quiser vencer tem que ter vontade, porque treinar offline, ter vários "quases" como eu tive e continuar batalhando pelo resultado, acima de qualquer outra coisa, tem que realmente querer, e claro, gostar disso.♦